BOLSA DE VALORES

Guia completo do home broker: saiba tudo sobre o assunto!

por: Danilo Zanini
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Um dos primeiros passos para conseguir investir na Bolsa de Valores é realizar um cadastro em uma corretora. É essa a instituição responsável por fazer a ligação entre o investidor e o mercado e também por guardar os ativos. Nesse ponto, o interessado terá acesso ao sistema que chamamos de home broker.

Embora a sua aparência possa ser um pouco intimidadora, mantenha a calma. Gráficos, tabelas com nomes e cotações de ações em tempo real — tudo isso pode deixar o investidor (principalmente se essa for a sua primeira experiência) um pouco confuso, eu sei.

A boa notícia, no entanto, é que o home broker não é uma plataforma difícil de lidar e, como tudo no mundo dos investimentos, é preciso ter conhecimento. Por isso, neste texto, vou explicar para você o que é necessário saber sobre essa ferramenta. Continue a leitura!

Afinal, o que é o home broker?

O home broker consiste em um sistema eletrônico para a negociação de ativos. É uma plataforma online que permite que os investidores possam acessar e operar os seus investimentos da Bolsa de Valores e também de outras instituições.

Aqui, destaco que não existe apenas essa plataforma para realizar as negociações — a mesa de operações também é uma forma, porém, ela, além de não ser muito utilizada, é mais restrita a investidores que não operam sozinhos. Essas pessoas podem ser iniciantes que não têm tanta segurança assim para aplicar ou dispor de quantias muito altas de dinheiro, preferindo o auxílio de um assessor.

Entre as vantagens de se operar no home broker, estão:

  • consulta facilitada às posições; custódia online;
  • cotações em tempo real;
  • acesso à carteira de ações;
  • relatórios;
  • filtros com índices e tipos de ativos; entre outras.
  • Como ele funciona?

    Quero deixar claro que existem diversos home brokers. Cada corretora tem o seu e as suas funcionalidades costumam ter algumas diferenças, assim como há ferramentas padronizadas. Todo home broker permite, por exemplo, a visualização das cotações em tempo real e contém a opção de comprar ou vender ações online.

    Ademais, é possível acompanhar as ordens feitas e confirmar se foram executadas ou não. Eles também permitem a visualização de informações, como o seu saldo financeiro e as ações que já são mantidas na carteira.

    Custos

    Os custos vinculados ao uso do home broker dependerão da corretora e do tipo de produto em que você investe. O mais comum é, no caso de ações, a taxa de corretagem cobrada cada vez que o investidor emite uma ordem. Ela pode ser tanto fixa quanto de acordo com a quantidade de ativos negociados. Agora, os fundos de investimentos têm duas taxas: de administração e de performance.

    Já quanto à renda fixa, especificamente sobre os títulos do Tesouro Direto, vale destacar a existência da taxa de custódia. Ela é a mesma independentemente da instituição, mas a sua cobrança dependerá do home broker: alguns isentam o investidor. Em investimentos do tipo CDB, LCI e LCA e debêntures, por exemplo, não são cobradas tarifas.

    Quais ativos são comercializados?

    Os home brokers surgiram por volta da década de 2000 e, desde então, foram se popularizando como meios de comprar ou vender ativos na internet. No entanto, nessa época, as possibilidades de aplicações eram bem restritas.

    Um investidor tinha acesso apenas à renda variável, como ações, fundos imobiliários, opções etc. Hoje em dia, esse cenário mudou e já é possível investir em opções de renda fixa, além de fundos de investimentos, COEs e debêntures. Aqui, separei algumas das principais opções encontradas nessa plataforma. Vamos lá conhecê-las?

    Ações

    As ações são, talvez, o primeiro investimento em que se pensa quando o assunto envolve a Bolsas de Valores ou, até mesmo, a renda variável. A sua definição não é nenhum "bicho de sete cabeças", já que ações são títulos que representam partes de uma empresa.

    Quando uma pessoa adquire uma, obtém uma parcela da companhia e, automaticamente, torna-se sócia dela. Isso mesmo! Você vira um acionista, portanto, pode receber os lucros do negócio conforme o número de ações que tiver, ou seja, de acordo com a sua participação.

    Elas são divididas em dois tipos: ON e PN. As primeiras, também conhecidas como ordinárias, além de receberem parte dos lucros, dão direito ao acionista de participar das decisões da gestão da corporação. Já para as preferenciais, não há esse direito, porém, na hora de receber os proventos, os detentores têm prioridade.

    ETFs

    Basicamente, os ETFs (Exchange-Traded Funds) são fundos de investimentos, contudo, eles têm algumas características que os diferenciam dos ativos tradicionais. Primeiro, eles utilizam indicadores do mercado para compor a sua carteira. Vou usar um exemplo mais prático. Veja!

    Na Bolsa de Valores, temos alguns índices que são grupos de ações com características semelhantes. Por exemplo, o índice IBOV corresponde aos ativos com maior volume de negociações da Bolsa. Um ETF que está atrelado ao IBOV terá, em sua composição, papéis de empresas que estão no índice.

    Assim como outros fundos, esse investimento tem um gestor: um investidor profissional responsável por administrar a carteira. A cada mudança na composição do índice, ele deve realizar a alteração no ETF. Como outros fundos, para ter acesso, o investidor deve comprar cotas do ETF negociadas na Bolsa de Valores.

    TESOURO SELIC

    Como parte dos investimentos de renda fixa, o Tesouro Direto compõe fundamentalmente os títulos de dívida do governo. O que acontece é que, para captar recursos para investir em obras, projetos, entre outras iniciativas, o Estado oferece esse título para o investidor por um determinado prazo.

    Isso seria uma espécie de "empréstimo" em que, em troca, é recebida a quantia com juros. Por isso, o rendimento do Tesouro é sempre atrelado a alguma taxa. No caso do Tesouro Selic, é a taxa de juros anual.

    LCI E LCA

    As Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio também podem ser colocadas na categoria de títulos de renda fixa. Contudo, a diferença é que elas não são atreladas ao governo federal e, sim, ao setor imobiliário e do agronegócio. Ou seja, ao comprar esses papéis, o investidor está emprestando dinheiro para que as instituições financeiras possam investir nesses segmentos.

    Isso não acontece diretamente, no entanto. Por exemplo, na LCI, os recursos são usados para a aplicação em carteiras de empréstimos que têm ligação com os negócios da instituição no setor imobiliário. Já a LCA pode estar ligada a financiamentos concedidos a produtores rurais. Esses investimentos são emitidos por instituições bancárias e são isentos de Imposto de Renda.

    CDB

    Também representam a renda fixa, porém, esses títulos têm uma ligação mais direta com as instituições financeiras. Isso porque eles são uma forma de o banco conseguir captar recursos para realizar as suas atividades de crédito. Assim como os títulos públicos, nos CDBs, o investidor recebe de volta o que investiu mais juros, geralmente atrelados à taxa CDI. É possível encontrar duas categorias de CDBs: prefixado e pós-fixado.

    PREFIXADO

    Aqui, é possível saber com quanto o investidor será remunerado ao final do vencimento. O que acontece é que a taxa é fixada em um valor, ou seja, ele sabe a porcentagem que o título vai render ao ano — um exemplo é encontrar um CDB prefixado a 3% ao ano.

    PÓS-FIXADO

    Já nesse caso, o investidor não tem um valor certo a receber. Ele tem, na verdade, a informação de qual será o indicador utilizado para basear o rendimento, mas não sabe o quanto terá de retorno no fim do vencimento.

    Isso acontece porque o pós-fixado segue as variações que ocorrem ao longo do período com o indexador. O indicador utilizado nessa modalidade é a taxa CDI, sendo possível encontrar remunerações de 100%, de 80% e de 120% do seu valor, dependendo da instituição.

    COE

    Também chamados de Certificados de Operações Estruturadas, esse é um tipo de aplicação com características tanto da renda fixa quanto da variável, conhecido, inclusive, como ativo híbrido. O que acontece é que os COEs são como uma representação de um investimento ou de uma cesta de renda variável.

    Quando se investe em COEs, o dinheiro é aplicado em ativos de renda variável por um determinado período, e o investidor recebe esse certificado como garantia até ter acesso aos lucros. O capital investido pode ser totalmente protegido ou parcialmente, dependendo das características da aplicação

    Debêntures

    Quando uma empresa precisa captar recursos, ela pode tomar duas medidas: abrir o seu capital e emitir ações ou gerar o que chamamos de debêntures. Eles são parte das categorias de títulos e representam uma maneira de uma corporação conseguir dinheiro para realizar as suas iniciativas, como a compra de maquinários, a expansão de sua estrutura etc.

    Como são emitidos por empresas, as regras relacionadas aos prazos ou à remuneração dependem da companhia, mas já são definidas assim que o documento é emitido. O investidor já sabe, então, o tempo de aplicação e qual será o valor dos juros. Apesar de estarem relacionados a empresas, os debêntures são considerados investimentos de renda fixa.

    Existem diferenças entre as corretoras quando o assunto é home broker?

    Como expliquei no começo deste texto, o home broker apresenta alguns padrões como plataforma, porém, dependendo da instituição, pode ter algumas funcionalidades diferentes. Alguns são bem mais robustos, com muitas ferramentas, outros já são mais simples. Também há distinções entre as taxas cobradas. Separei, aqui, alguns encontrados no mercado.

    Modalmais

    Com taxa zero de custódia para investimentos na Bolsa e no Tesouro Direto, o home broker da Modalmais tem corretagem a partir de R$ 0,99 para ações e opções e de zero para minicontratos de dólar ou índice. Os seus clientes têm uma lista interessante de aplicações disponíveis, como CDB, LCI & LCA, Tesouro Direto, COE, Fundos de Investimentos, debêntures incentivados, entre outras.

    O investidor também tem à sua disposição a orientação de profissionais, com um gerente de conta e com suporte técnico. A tecnologia do seu home broker proporciona a possibilidade de consultar e de acompanhar a carteira, o acesso a gráficos e índices e simuladores e notícias sobre o que acontece no mercado.

    xp investimentos

    A XP é uma empresa de renome no mercado de investimentos com mais de 100 mil clientes, sendo considerada a maior corretora independente do país. O seu home broker proporciona acesso à carteira, ao patrimônio e ao histórico de compras e vendas e também uma análise do portfólio.

    As taxas cobradas para investir em ações variam de acordo com o tipo de negociação. Até o momento em que este texto foi produzido, operações do tipo swing trade estão a R$ 4,90, enquanto as de day trade, a R$ 2,90.

    rico

    A Rico também é uma corretora bastante notável quando o assunto envolve investimentos de renda variável. Com mais de 200 mil clientes, ela proporciona uma taxa zero para investimentos em Tesouro Direto ou renda fixa e não tem tarifa de corretagem para ações, fundos imobiliários, BDRs e ETFs.

    Com uma plataforma totalmente online, o seu home broker oferece gráficos, acesso às cotações e notícias. Além disso, dispõe de um aplicativo para celular com cursos, recomendações e treinamentos.

    Easynvest

    A Easynvest está há quase 50 anos no mercado, sendo uma das primeiras corretoras a fornecerem atendimento online. Ao se cadastrar, o investidor tem taxa zero para custódia de fundos imobiliários, ETFs, LCAs e LCIs, debêntures, ofertas públicas, entre outros.

    Entretanto, no caso de ações, a taxa de corretagem para o mercado fracionário é de R$ 2,49, enquanto, para lotes, é de R$ 4,99. Em sua plataforma, o investidor terá acesso a análises gráficas, conteúdos educativos e também ao aplicativo mobile.

    Como operar no home broker?

    Agora que você conheceu as alternativas para home broker, quero apresentar algumas dicas para que possa operar nessa plataforma com facilidade. De fato, ela não é difícil e muitas coisas são bastante intuitivas, mas, para atingir melhores resultados e aproveitar tudo que um home broker pode fornecer, é legal entender alguns detalhes. Confira!

    Defina a sua atuação

    É certo que se você for uma pessoa que lê regularmente os meus textos ou que já vasculhou bastante na internet sobre o mercado, provavelmente viu muito sobre diversificação. Bem, esse não é o destaque deste tópico. Claro que é importante diversificar — aliás, é fundamental para lidar com os riscos. No entanto, você terá que começar de algum lugar.

    Nesse caso, será preciso escolher qual será o seu primeiro ativo, quer dizer, de que tipo ele será: renda fixa ou variável. Geralmente, quem está no começo tem um perfil mais conservador, já que ainda está entendendo o que acontece no mercado. Logo, preferirá a primeira opção. Mas essa não é uma regra, ok? Você pode começar com a renda variável também.

    O que é preciso analisar é:

  • no caso de investimentos da Bolsa de Valores, é interessante optar por um home broker com corretagem zero, para que você possa fazer as suas ordens sem custos.
  • Também tenha uma boa resposta na atualização das cotações. Gráficos e indicadores em tempo real são muito bem-vindos;
  • já na renda fixa, é legal que a empresa ofereça bastantes opções e com uma rentabilidade de, pelo menos, 90% da CDI.
  • day trade

    Esse é um tipo de operação mais voltado para quem investe na Bolsa. O day trade corresponde a negociações de ações em que a compra e a venda são feitas no mesmo dia, ou seja, em curto prazo. Em razão de os ativos não ficarem na carteira, pelo menos, não mais de 24 horas, torna-se uma liquidação totalmente financeira e há alguns custos exclusivos.

    Além da taxa de corretagem pelas ordens, também ocorre a cobrança de impostos. Se houver um lucro mensal líquido sem prejuízos, o investidor deve pagar 20% sobre ele, já descontando a corretagem. O pagamento é feito por meio de um DARF. Caso o investidor tenha perdido dinheiro com operações anteriores, ele pode compensar no imposto.

    swing trade

    Como parte das operações de curto prazo da Bolsa de Valores, o swing trade tem algumas semelhanças com o day trade, já que também é uma estratégia de curto prazo. Entretanto, a sua principal diferença tem relação com o tempo pelo qual o investidor fica com o ativo. Aqui, as ações ficam na carteira por mais de um dia, podendo durar semanas.

    O objetivo, assim como em outras operações, é manter o ativo até que ele lucre de acordo com as tendências analisadas anteriormente. A vantagem dessa operação é que ela proporciona mais tempo para que o investidor possa estudar o mercado, além de não deixar o patrimônio tão exposto quanto acontece no day trade.

    Buy and Hold

    Essa é a categoria de negociação de longo prazo do mundo das ações. Na verdade, dependendo do tipo de estratégia, ela nem tem um tempo exato para acabar. Você pode ter certa quantidade de ações de uma empresa e vender uma parte em seis meses e querer guardar o resto. Assim como pode esperar por anos até que os papéis se valorizem para realizar transações, enquanto ganha com proventos e dividendos.

    Claro, a sua atitude vai depender do seu objetivo e também do tipo de empresa que você escolheu. Isso porque, no buy and hold, o foco é comprar ações de boas corporações e ficar com elas por muito tempo.

    use simuladores

    Muita gente que está iniciando nesse mundo da Bolsa de Valores e, consequentemente, no home broker, talvez não saiba que existem simuladores desse tipo de ferramenta. São plataformas pagas que reproduzem tudo o que acontece no mercado, porém, o investidor não está arriscando o seu dinheiro real.

    Elas são muito utilizadas por indivíduos que pretendem ser traders e querem treinar as suas estratégias. Entretanto, também podem ser usadas por investidores que pretendem aprender como negociar em um home broker. Dessa forma, você pode testar funcionalidades e até táticas de investimento sem correr um risco real.

    conheça os gráficos

    Uma característica importante sobre os home brokers e que é fundamental para quem quer acompanhar as cotações e os seus lucros é o acesso aos gráficos. Na maioria dessas plataformas, é possível encontrar dois tipos: o TradingView e o Chart Trading. Ambos apresentam o que está acontecendo no mercado, especificamente na ação escolhida, porém, de perspectivas diferentes.

    O primeiro, geralmente, apresenta os preços da ação ao longo do tempo, e o segundo também, mas dá a oportunidade para que você faça uma ordem de compra ou de venda diretamente. Isso é ótimo para quem faz day trade e swing trade. Em termos de configurações, eles oferecem as mesmas opções, como possibilidade de ver as cotações por período, troca das cores dos elementos, escolha de representação (linha, candles ou barras), entre outras.

    faça análises

    De maneira geral, existem duas análises básicas para quem faz operações na Bolsa de Valores: a técnica e a fundamental. A primeira é recomendada para aqueles que realizam day trade e swing trade e é também chamada de gráfica. Ela consiste na análise das cotações por meio de gráficos em que o objetivo é confirmar as tendências dos preços.

    Já a segunda é mais utilizada por quem faz buy and hold porque o foco do investidor é analisar os fundamentos do negócio. Indicadores financeiros mostram o desempenho da empresa não no dia a dia da Bolsa, mas no mercado. Nesse contexto, são avaliados o balanço patrimonial, os relatórios, como DRE (Demonstrativo de Resultados), o valuation, entre outros.

    tenha um limite de perdas

    Essa é uma dica que serve tanto para quem está iniciando no mercado quanto para quem já tem certa experiência. Afinal, é comum que, à medida que se negocia, ganhos e perdas aconteçam. Se o primeiro resultado pode deixar qualquer investidor bastante empolgado com o mercado, o segundo pode ser um grande problema.

    Muitas pessoas não estão preparadas emocionalmente para ver parte daquilo em que investiram perdendo o valor. Nesse ponto, não é incomum que o investidor comece a fazer escolhas extremamente duvidosas.

    Por isso, destaco a importância de determinar limites para as suas negociações, sejam de ganhos, sejam de perdas. Procure sempre definir o quanto pode perder ou ganhar naquele dia ou momento. Essa é uma forma de ter maior autocontrole sobre os riscos do mercado, principalmente no de renda variável, e de não deixar a emoção dominar.

    Até aqui, eu falei sobre as principais informações que você precisa saber para usar um home broker. Espero que perceba que, aprendendo a utilizá-lo, você pode obter um grande aliado para as suas negociações e para o plano de investimento. Não só porque ele fornece dados importantes sobre cotações e tipos de ativos, mas também por seu suporte gráfico. Dessa forma, é possível que você consiga alcançar o seu objetivo com segurança e com comodidade.

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